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Seis dicas para se proteger da inflação

Publicação 16 fev 2016 by JS Treinamentos & CoachingEm dezembro, analistas previam que a inflação começaria a dar trégua neste início de ano, mas o aumento dos alimentos e dos transportes manteve alto o nível geral de preços em janeiro.

Segundo o IBGE, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês passado ficou em 1,27%, a maior alta para janeiro em 13 anos.

O resultado também ficou acima da inflação de dezembro (0,96%) e fez o IPCA acumular alta de 10,71% em 12 meses.

No caso dos alimentos, a alta foi puxada por elevações nos preços de produtos como cenoura (que subiu 32,64%), tomate (27,27%), cebola (22,05%) e batata-inglesa (14,78%), em função de questões climáticas.

Já no grupo transportes, segundo o IBGE, houve uma alta de 3,8% no item “transportes públicos” e de 2,1% nos combustíveis.

Quer saber como proteger seu dinheiro da alta de preços e fazer o salário voltar a sobrar no fim do mês? A BBC Consultou analistas financeiros e economistas que sugerem seis estratégias:

1) Invista

Quanto maior a inflação, mais se perde ao deixar o dinheiro poupado parado e maior deve ser a remuneração de um investimento para que se consiga obter ganhos reais com ele.

Diante da atual volatilidade do cenário econômico, muitos analistas financeiros têm recomendado investimentos em renda fixa, como títulos do Tesouro ou fundos de investimento e outros produtos financeiros atrelados a esses títulos (LCI, LCA e CDB).

A poupança, apesar da vantagem de ser isenta de Imposto de Renda e taxas de administração, perde cada vez mais atratividade com a alta dos juros.

No passado os imóveis já foram considerados uma boa proteção contra a inflação. Para economista e consultor financeiro William Eid, porém, as perspectivas ruins para o crescimento da economia, ao frear o mercado imobiliário, tornam a opção menos atrativa.

“Os imóveis foram um bom investimento há alguns anos porque se valorizaram bastante, mas isso foi algo pontual. Hoje não recomendo como investimento”, concorda Michael Viriato, professor do Insper.

2) Negocie

Para que o dinheiro continue (ou comece) a sobrar no final do mês, mesmo com a alta dos preços, especialistas recomendam que, sempre que possível, se negocie os aumentos de produtos e serviços consumidos.

“É claro que você não pode pechinchar o preço da carne em um supermercado, mas talvez possa fazê-lo em um mercado de bairro em que compra com frequência”, diz Mauro Calil, consultor financeiro e fundador da Academia do Dinheiro.

“Se os aumentos da escola de seu filho não são razoáveis – se são muito mais altos que a inflação oficial -, vale a pena se juntar com outros pais para questionar o porquê desse aumento e pedir uma redução”, diz o economista Samy Dana, da FGV.

“Afinal, seu salário não vai subir tudo isso.”

3) Pesquise preços

Nos tempos de hiperinflação, nos anos 80 e 90, era preciso correr de uma loja a outra para pesquisar preços. E muitas vezes ao concluir qual o local mais barato, o consumidor era surpreendido por um reajuste de preços no local.

Hoje, não só a inflação em patamares mais baixos facilita a comparação, como a internet é um grande aliado de quem quer se proteger da alta de preços.

“Pesquisar preços é uma tarefa que todo consumidor deve fazer antes de ir as compras – e hoje, com a internet, isso está muito mais fácil”, diz Dana.

Ele diz que hoje as pessoas podem não só entrar no site das empresas para conferir preços, como também há uma série de apps e sites em que as pessoas podem comparar diversos lugares (como o Buscapé, Zoom e Dica de Preços, para mencionar alguns exemplos).

4) Substitua itens de consumo

Uma forma de reduzir o impacto da inflação sobre o seu orçamento é cortar os produtos que você percebe que estão ficando mais caros e substituí-los por outros produtos ou similares de outras marcas.

“Cada um pode fazer uma análise de seu perfil de gastos para entender quais produtos e serviços são de fato importantes em sua vida e quais são o que eu chamo de ‘gastos tolos’, ou seja, aquelas coisas em que as pessoas acabam gastando muito, mas que não lhes trazem um bem-estar duradouro”, diz Calil.

“São esses gastos que devem ser cortados ou substituídos.”

Viriato, do Insper, dá o exemplo do item “alimentação fora de casa” um dos que mais tem subido, segundo o IBGE.

“Pode ser difícil para o trabalhador levar almoço para o trabalho – ele vai ter de cozinhar, transportar e guardar o almoço em algum lugar. Mas se ele conseguir levar ao menos o lanche, provavelmente terá mais dinheiro no fim do mês”, diz.

5) Compras coletivas

Segundo Dana, outro recurso que pode ajudar os consumidores a driblar a alta de preços são as compras coletivas nos clubes de compras e ‘atacarejos’ – lojas que vendem no atacado para pessoas físicas.

Tais lojas oferecem um preço bem mais vantajoso para compras de grande quantidade. “Muitas famílias estão se juntando para poder comprar nesses lugares sem ter de ficar com um estoque gigantesco em casa”, diz ele.

Os preços seriam menores que os do varejo em 69% dos itens em uma pesquisa feita pela consultoria Nielsen. Segundo Calil, podem chegar a ser 30% mais baixos.

Um dos cuidados que devem ser tomados por quem adota por essa opção, porém, é checar o prazo de validade dos produtos. Também é preciso considerar que alguns clubes de compras cobram uma anuidade de seus associados.

6) Estoque produtos baratos

Para alguns consultores, vale a pena comprar em grande quantidade um produto que a família consome com frequência se ele for encontrado em promoção.

“Se você tem um bebê, numa promoção cada fralda de um pacote pode sair por menos de R$ 1, por exemplo, metade do que você pode chegar a pagar se tiver de comprar o produto na urgência, em uma farmácia de bairro. Então vale a pena estocar”, diz Calil.

É claro que não é todo produto que pode ser estocado. E também é preciso medir bem as quantidades, para evitar o desperdício.

“A inflação que temos hoje ainda está muito longe da inflação que vivemos nos anos 80, então não podemos exagerar ao fazer estoque”, diz Viriato.

“No caso da carne, por exemplo, provavelmente os custos de se ter um freezer para manter o alimento seriam altos. Além disso, às vezes a família consome ou desperdiça mais porque sabe que a dispensa está cheia.”

O original desta reportagem foi publicado em 2015. Esta versão foi atualizada com dados de janeiro de 2016.

Fonte: bbc.com

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