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Dieta pelo bem da digestão

Publicação 01 mar 2016 by JS Treinamentos & CoachingNo café da manhã, que tal um pãozinho com mel acompanhado de um copo de leite? Na hora do almoço, só não pode faltar feijão. Para o lanche da tarde, cai bem uma pera. E, no jantar, uma saladinha de milho verde pra encerrar o dia sem exageros. Embora combinem com uma rotina saudável, todos esses alimentos podem causar o maior sufoco se você sofre da síndrome do intestino irritável (SII), condição marcada por gases, cólicas e constipação ou diarreia. Isso porque eles reúnem doses carregadas de FODMAPs, sigla em inglês que representa as iniciais de oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Tantos palavrões significam o seguinte: são carboidratos de difícil digestão.

“Eles propiciam a entrada de um maior volume de líquidos no intestino delgado e provocam mais fermentação no intestino grosso”, explica a nutricionista Marianne Williams, da Fundação do Serviço Nacional de Saúde, no Reino Unido. Por causa dessas características, os FODMAPs disparam os desconfortos típicos de quem tem o intestino sensível — algo em torno de 20% da população. Cortá-los do cardápio traria, portanto, um baita alívio a essa gente. E isso já está sendo observado na prática.

Pesquisas da Universidade Monash, na Austrália, indicam que a dieta com baixo teor de FODMAPs funciona em 75% dos casos. Em um desses estudos, feito com 30 portadores do distúrbio, constatou-se a redução dos sintomas na ordem de 50% após três semanas com o novo regime — a melhora apareceu especialmente depois da primeira semana. E nem adianta creditar o ganho a um efeito psicológico. Os voluntários não foram informados de que se tratava de um menu especial para que sua expectativa não influenciasse os resultados.

Diferentes categorias de alimentos, como frutas, grãos e leguminosas, têm compostos que, para algumas pessoas, armam uma confusão intestinal. Melancia, centeio e lentilha estão entre eles. O leite e seus derivados também entram na lista — para não ficar sem o cálcio presente nesses itens, o jeito é apelar para as versões sem lactose. A primeira fase da intervenção tem uma duração que varia de duas a oito semanas. Nesse período, é importante que a restrição a esses alimentos seja total. “Só assim é possível avaliar a eficácia do tratamento”, afirma a nutricionista Letícia Fuganti Campos, da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral.

Para evitar deslizes e facilitar a adoção da dieta pobre em FODMAPs, a Federação Brasileira de Gastroenterologia divulgou em sua página na internet uma tabela completa com os alimentos liberados e os proibidos. Mas esse recurso não concede sinal verde para correr ao supermercado e começar o investimento no novo cardápio, viu? Antes de mexer no menu, é necessário visitar um especialista. Tudo para garantir que, depois das mudanças, seu corpo não sofrerá com a ausência de nenhum nutriente.

A dieta contra a SII é dividida em três fases. Na primeira, que deve durar entre duas e oito semanas, o objetivo é banir os FODMAPs. Na segunda, o indivíduo deve reintroduzir, aos poucos, os alimentos proibidos e prestar atenção naqueles que mais desencadeiam as crises. Essa etapa serve para conhecer melhor o humor e as reações do intestino. Na terceira e última fase, a ideia é adotar um regime alimentar mais próximo do normal. “A meta é voltar com a maioria dos alimentos, desde que os sintomas permaneçam controlados. Assim, o indivíduo consegue identificar os mais, digamos, perigosos”, explica a nutricionista Jane Muir, do Departamento de Gastroenterologia da Universidade Monash.

Se os sintomas do distúrbio não melhorarem com o cardápio especial, convém voltar ao consultório para rever as estratégias. “O acompanhamento médico continua sendo a melhor pedida para controlar a SII”, ressalta Carlos Fernando Francesconi, chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Até porque nem sempre a dieta com baixo teor de FODMAPs é a melhor aposta.

Francesconi costuma indicá-la apenas a pacientes com quadros de SII mais severos. “Nos casos leves ou moderados, uma dieta considerada balanceada já é o suficiente”, garante o gastro. “Nenhum alimento deve ser banido para sempre”, reforça. Na dieta dos FODMAPs, cabe reforçar, isso não acontece. Ela deve durar, no máximo, dois meses. Se for além disso, existe o risco de ocorrer uma modificação na flora intestinal e, como consequência, uma piora nos sintomas que já atormentam os portadores da condição.

Outra recomendação de quem entende: pessoas sem a síndrome não têm motivos para adotar esse programa alimentar — não, ele não ajuda a emagrecer. “Os FODMAPs, na verdade, são até bem-vindos para um intestino saudável. Portanto, devem, sim, ser consumidos por quem não apresenta a SII”, avisa a pesquisadora australiana Jaci Barrett. Aliás, se o indivíduo só tem constipação, por exemplo, é provável que sejam necessários outros tipos de ajuste no cardápio (e isso influenciará inclusive na escolha dos alimentos).

Francesconi pontua ainda que a dieta não pode ser encarada como a protagonista do tratamento da SII. Afinal, falamos de um quadro complexo no qual o estresse tem enorme impacto. “Casos de luto, violência e até crise econômica afetam a digestão”, diz o especialista. Conhecido como segundo cérebro, o intestino também está sujeito a alterações de temperamento. Mas é bom saber que a comida certa, mesmo como coadjuvante, pode ajudar a acalmar seus ânimos.

Sem FODMAPs

Um dia seguindo a dieta para acalmar o intestino

Desjejum

Leite de soja ou leite sem lactose batido com banana e aveia. Ou um pão sem glúten com queijo sem lactose acompanhado de uma fatia de melão.

Lanche da manhã

Iogurte sem lactose e uma porção de morango ou de abacaxi.

Almoço

Forre metade de um prato com cenoura, alface, tomate, pepino, berinjela, abobrinha, espinafre, rabanete e abóbora. Na outra metade, coloque uma porção de arroz integral com um peixe ou uma carne (vermelha ou de frango).

Lanche da tarde

Mix de oleaginosas e uma tangerina.

Jantar

Repita o almoço. Dá para substituir o arroz por batata- -doce ou batata-inglesa, polenta ou macarrão sem glúten. Sempre reserve mais espaço para a salada. Ovo também está permitido.

Fonte: mdemulher.abril.com.br

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