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Confira 10 habilidades fundamentais para o futuro [que você deve aprimorar hoje]

artigo-blog-js-26112016Você já parou para considerar se sua atividade poderia ser substituída por um sistema de inteligência artificial? Trabalhos pouco especializados, baseados em repetições, tendem a sumir, enquanto atividades que exigem competências humanas devem ganhar mais destaque a partir dos próximos cinco anos. É o que apontam estudiosos, empresários e um relatório chancelado pelo Fórum Econômico Mundial, com previsões sobre o futuro das profissões.

O bilionário Elon Musk foi taxativo ao afirmar recentemente que, no futuro, será necessário que os governos garantam uma renda mínima aos cidadãos que não conseguirem ocupar postos de trabalho ocupados por máquinas e softwares. De acordo com um estudo da Universidade de Oxford, nos próximos 20 anos, 35% dos postos de trabalho no Reino Unido serão extintos para darem lugar à inteligência artificial.

Já o Fórum Econômico Mundial alerta que as inovações tecnológicas irão acabar com 7 milhões de postos de trabalho até 2020 e criar outros 2 milhões – deixando um saldo de 5 milhões de desempregados nas 15 maiores economias do mundo, incluindo o Brasil.

“O ritmo da inovação tecnológica continua aumentando, com tecnologias de software mais sofisticadas provocando rupturas nos mercados de trabalho ao tornar os trabalhadores redundantes”, conclui uma pesquisa da Universidade de Oxford.

Inteligência artificial e trabalho

Essa realidade não é futura. Ela foi gestada em um ambiente competitivo que exige inovação em todos os aspectos das organizações. Para a coordenadora do MBA em Gestão de Recursos Humanos da Unisinos, Elenise Rocha, a redução dos postos de trabalho não significará maior desemprego. “O que vai reduzir ao longo do tempo é o trabalho que executamos dentro dos empregos – a evolução do mercado de trabalho tem mostrado muitos sinais ao longo dos anos, as próprias condições de trabalho que eram muito precárias evoluíram e melhoraram”, explica a pesquisadora.

Um estudo da Accenture intitulado The promise of artificial intelligence aponta que a automação tende a erradicar processos operacionais no cotidiano das empresas. “Gerentes passam a maior parte do tempo desempenhando tarefas nas quais eles sabem que a Inteligência Artificial irá dominar no futuro. Em específico, os gerentes entrevistados esperam que o maior impacto da IA será na rotina administrativa e tarefas de controle, como agendamentos, alocação de recursos e geração de relatórios”, revela.

Segundo a professora da Unisinos, a busca pelo conhecimento especializado abre possibilidade para atuação do profissional no futuro. Os trabalhadores pouco especializados continuarão com postos de trabalho, porém em menor escala e talvez encontrem escassez de oferta da sua profissão no futuro, tendo que se sujeitar a baixos salários e condições precárias”, completa.

Elenise enfatiza que a tecnologia facilita o progresso das ideias e desenvolve o mundo, tornando-o mais aberto, inclusivo e transparente. “Entendo que a tecnologia não está roubando nosso emprego, ela está reduzindo a carga de trabalho, fazendo-nos olhar de forma diferente para o que realmente é importante e gera valor”, conclui.

Diante desse quadro, qual a função das pessoas dentro das empresas e como planejar o desenvolvimento de habilidades e da própria carreira em um mundo disruptivo? Como se manter competitivo em mercados que passam por profundas transformações?

Habilidades do futuro

O Fórum Econômico Mundial divulgou uma relação com as 10 habilidades essenciais para os profissionais que quiserem se destacar durante a quarta Revolução Industrial. “A maioria das empresas acredita que investir em habilidades, ao invés de aumentar as contratações de curto prazo ou trabalhadores virtuais, é a chave para gerenciar rupturas no mercado de trabalho em longo prazo com sucesso”, indica o resumo executivo do estudo. Use os links abaixo para ir ao tópico desejado:

  1. Resolução de problemas complexos
  2. Pensamento crítico
  3. Criatividade
  4. Liderança e gestão de pessoas
  5. Trabalho em equipe
  6. Inteligência emocional
  7. Julgamento e tomada de decisões
  8. Orientação a serviços
  9. Negociação
  10. Flexibilidade cognitiva

 

1. Resolução de problemas complexos

Imagem: iStockphoto

Não é de hoje que a capacidade de resolver situações-problema é um indicativo do nível de inteligência individual e constitui uma habilidade bem-vinda nas empresas. Isso porque a resolução de problemas é um processo altamente cognitivo que requer a adoção de um objetivo e a coordenação de esforços rumo a esse objetivo. Para a psicologia, a resolução de problemas é a conclusão de um processo que envolve a delimitação do problema e a formulação do problema e tem duas dimensões: uma lógico-matemática e outra humana. É um processo que dificilmente seria delegado a um sistema com inteligência artificial – a exemplo do Pensador Profundo da obra de Douglas Adams.

2. Pensamento crítico

Desde antes dos primeiros registros históricos, os homens questionam o porquê das coisas, a razão por trás de fenômenos. Aqueles que se aprofundam nas questões, encontram respostas e mais perguntas e iluminam áreas até então desconhecidas tendem a se destacar. “É necessário estar disposto a aprender sempre, e evoluir na mesma medida em que observamos os sinais de mudanças dos nossos tempos”, afirma a professora da Unisinos. No célebre livro “Re-thinking reason”, composto por ensaios de vários estudiosos, o professor emérito de Filosofia da Universidade de Gettysburgh defende que o pensamento crítico humano é algo que supera o pensamento lógico. “O bom pensamento inclui, mas não é exaustivamente definido em termos de operações lógicas”, resume. “Existem funções não-analíticas do pensamento, como imaginação e intuição, e o bom pensador sabe utilizar os dois tipos”, explica, referindo-se aos modelos lógico e não-analítico.

3. Criatividade

Em junho, foi lançado o curta-metragem “Sunspring”, cujo roteiro foi totalmente escrito por Benjamin, apelido de um computador da Universidade de Nova Iorque. A mágica dos algoritmos pode fazer com que máquinas aprendam através do reconhecimento de padrões, porém a ideia de colocar um computador para escrever um filme partiu de dois humanos: o diretor Oscar Sharp e o produtor Ross Goodwin. “Mesmo que um robô escreva um livro, um roteiro de filme, pinte um quadro, ele foi desenvolvido com base em programação. Ou seja, através da inteligência e criatividade do homem”, defende Elenise Rocha. Por ora, as boas ideias ainda dependem das pessoas para serem realizadas.

4. Liderança e gestão de pessoas

Enquanto habilidades operacionais e pouco especializadas perdem relevância gradativamente, a capacidade de orientar esforços a um propósito torna-se cada vez mais importante. A habilidade de liderar envolve tanto conhecimentos de sistemas e métodos de trabalho quanto a capacidade de compreender e lidar com pessoas. Para Daniel Goleman, a liderança está intimamente ligada à inteligência emocional. “Sem a inteligência emocional, alguém pode ter o melhor treinamento no mundo, uma mente analítica e incisiva, e uma fonte inesgotável de ideias inteligentes, mas ainda não será um bom líder”, afirmou no célebre artigo What makes a leader.

5. Trabalho em equipe

A era do profissional-gênio, aquele que está pronto para livrar a empresa ou departamento de uma situação calamitosa porém é sisudo e antissocial, caminha para o fim. Sem o amparo de uma equipe em que cada pessoa desempenha uma função – e conhece as funções das demais – um profissional isolado tende a não ser útil. Para executar um bom trabalho em equipe, é fundamental saber gerenciar as próprias emoções, moderar o comportamento e medir as palavras e ações. O que nos leva ao próximo tópico.

6. Inteligência emocional

É irônico o fato de que, em tempos de automação e inteligência artificial, tenha se tornado tão necessário que as pessoas conheçam a si próprias para se tornarem capazes de lidar com frustrações, controlar impulsos e manter a motivação independente das adversidades. “Quanto mais persistirmos, melhor enxergaremos as situações como passageiras e estaremos mais aptos para mudarmos o que for necessário”, afirma a coach Andreia Deis. O conceito de inteligência emocional envolve um arcabouço de competências que incluem autoconhecimento, controle emocional, automotivação, empatia e habilidade em relacionamentos interpessoais. É uma habilidade complexa e essencial no mercado de trabalho, que dará suporte às demais. E o melhor: não pode ser substituída por sistemas artificiais.

7. Julgamento e tomada de decisões

No clássico Eu, robô, Isaac Asimov propõe e discute as famigeradas três Leis da Robótica. O último conto do livro narra um diálogo onde os interlocutores expõem a possibilidade de uma reinterpretação da Primeira Lei – “um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal” – pelos próprios robôs. Asimov trata de uma contradição séria que ainda hoje é considerada pelos pesquisadores da área de Inteligência Artificial. Tomar decisões é uma competência humana; envolve informações, princípios, leis e emoções. Um julgamento errado pode implicar em repercussões que vão de baixos resultados trimestrais a genocídios. Além disso, deve existir um rosto por trás de uma decisão; alguém deve se responsabilizar. Portanto, é uma área que deve permanecer sob o domínio das pessoas por um bom tempo.

8. Orientação a serviços

Já percebeu que, cada vez mais, os sistemas estão cada vez mais adaptados às nossas necessidade, desde aplicativos simples até interfaces que utilizamos no trabalho? Tudo isso envolve um trabalho multidisciplinar de design, arquitetura da informação, programação e engenharia de software. Orientação a serviços é uma metodologia de desenvolvimento de sistemas modulares que permitem o alavancamento de recursos existentes e criação de novos, além de preparar para alterações exigidas pelo mercado. Assim, consegue-se aumentar a produtividade e, consequentemente, o lucro. 

9. Negociação

Planos podem sofrer alterações forçadas por necessidades internas ou externas. Algumas dessas alterações podem inviabilizar um projeto ou colocar em risco a saúde financeira da empresa. A negociação é uma habilidade que sustenta sua relevância porque é através dela que situações complicadas chegam a uma resolução, saídas são encontradas em becos fechados e padrões são rompidos. Profissionais que sabem negociar são capazes de conseguir bons acordos, financiamentos vantajosos e benefícios que podem representar vantagens estratégicas para as empresas. 

10. Flexibilidade cognitiva

O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar”. As carreiras e trabalhos também já não podem ser vistas como algo fixo, para a vida inteira. É natural observar engenheiros que lideram startups, biólogos que trabalham com vendas e matemáticos programadores. A velocidade das transformações, portanto, exige dos profissionais tanto a compreensão de que a área de formação não determina carreira quanto flexibilidade para novos aprendizados e experiências. “Tais mudanças devem acender, dentro de cada um de nós, uma nova consciência e uma nova visão, pois precisamos nos reinventar”, diz Elenise.

Fonte: www.administradores.com.br

 

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